Faz tudo parte do plano.

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Então, os problemas que vivemos hoje e as dificuldades que enfrentamos, serão compreendidas num futuro talvez distante, talvez próximo. Não agora; ainda não é a hora de conhecer os verdadeiros motivos de fatalidades inexplicáveis.
Um amor que surge do nada; outro que é alimentado por esperanças invisíveis; uma paixão silenciada pela morte; uma amizade que entra em crise; uma rede de intrigas que corroem até mesmo os mais seguros homens; um passado que ainda teima em assombrar; uma chama ainda acesa; um grito de socorro; um clamor de súplica; o ar que foge aos pulmões; uma história que se inicia; uma história que chega ao fim.
 Seríamos escravos de nossos medos?
   Somos vítimas da nossa própria inocência? Ou somos castigados pela nossa racionalidade?
   O Homem é um ser que se anuncia pensante, mas na hora em que mais precisa desfrutar dessa qualidade, foge de seus problemas, acovardando-se por entre os ouvidos dos outros e dando a eles o gosto doce da vida alheia. Talvez o que falte seja atitude. Talvez o que falte seja a coragem. Talvez o que falte seja o caráter. Talvez o que falte seja a razão.
   Como já foi dito em outro artigo, loucura é uma questão de ponto de vista. Cada um tem sua razão; cada um tem sua história; cada um tem seus motivos. Mas no fim, mesmo depois de serem apresentadas e ouvidas todas as versões, a verdade é uma só, e essa única verdade reina sobre nós todos.
   Não há certo ou errado. Não há bem ou mal. Há apenas um leque inacabável de suposições sobre o que poderia ser, mas não é. O que todos buscam, incansavelmente, é o melhor para si. E acabamos provocando nosso próprio fim tentando evitá-lo. Todos fogem do futuro, pois sabem que por mais prolongado que ele seja, ele termina em morte. A morte não é a solução. A morte é o preço que todos os homens pagam por seus erros; é uma espécie de quitação de dívida com a vida. Nós não erramos tanto ao ponto de merecermos fechar a conta tão cedo.
   Um homem cometeria tantos crimes ao ponto de merecer a morte?
   Um homem levaria uma vida tão desequilibrada ao ponto de desejar a própria morte?
   Ou pelo menos há alguém que veja além disso, ao contrário de quem nota a sujeira de um vidro mas não repara no que há por de trás dele?
   Alimentar uma mentira é o mesmo que cavar seu próprio túmulo. Está chegando a hora de consertar as coisas, e refazer do zero. Sem falhas. Sempre há um jeito de reparar seus erros.
   Não há montanha alta demais para não ser escalada.

   O plano falha. O Homem falha. Aonde está a perfeição?
   Não existe um ser humano perfeito, assim como não existe uma vida perfeita. Entretanto, existem planos perfeitos, e são considerados manobras de mestre, pois são poucos os que conseguem arquitetá-los. Mas nenhum plano é tão perfeito quanto o perdão.
   Pode fazer sol, ou cair chuva, ou escurecer e ficar frio. O perdão é a única coisa que nos mantém unidos e fortes. Dizem que perdoar é esquecer. Em tese, é sim. Mas na prática, perdoar é ignorar, passar por cima, e continuar. Só isso. Simples e humildemente continuar.
   A única coisa que pode salvar uma pessoa e conceder-lhe a redenção é o perdão. Mas para receber o perdão dos outros, primeiro eu preciso me perdoar. Eu errei. Eu erro. E vou continuar errando até acertar, nem que eu erre mais mil vezes. Eu sei que uma hora acertarei, nem que eu vença a vida pelo cansaço. No entanto, errar não está nos meus planos.
   Mas entre correr o risco de errar até acertar ou ficar parado e esperar que as coisas aconteçam sozinhas, prefiro recorrer à minha ignorância e tomar parte nessa luta contra nós mesmos. As coisas acontecerão sozinhas se as deixarmos como estão? Talvez. Mas com certeza o resultado não será tão bom quanto se algo for feito para impedir o pior. Isso se chama precaução.
   ‘Se quer algo bem feito, faça você mesmo.’
   Já dizia o dito popular... Se você estivesse em um barco e ele começasse a afundar, você ficaria de braços cruzados olhando a água tomar aquilo que você lutou para conquistar, ficaria dando ordens aos outros para que as coisas sejam feitas sem molhar as mãos, ou faria você mesmo aquilo que deve ser feito para preservar aquilo que você tanto valoriza e ama?
   Lógico, não é plano de ninguém bater num iceberg, nem sobrecarregar a embarcação. Mas se as coisas apertarem, e não tiver a quem recorrer, recorra a um amigo. O melhor; aquele que está mais próximo de você e já navegou por mares inexplorados que ambos consideravam desconhecidos.
   Se o plano falhar e você se encontrar num beco sem saída, não se desespere. Tenha em mente que coisas ruins acontecem, e são necessárias se quisermos evoluir. Já passaram tempestades mais avassaladoras, e a sobrevivência se mostrou ao nosso favor. Não é prudente pular do barco só porque soprou um vento leste e você sentiu frio. E menos prudente ainda é ir procurar segurança em outro barco.
   O plano era ancorar a salvo em um porto próximo e reabastecer.
   Creio que já estejamos ancorados. Agora é só traçar o plano de curso e continuar seguindo em frente, até onde o horizonte pode nos levar. E o que o futuro tem a nos trazer? É um mistério. É bom que continue sendo sempre uma surpresa.

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